Portugal está a aplicar tratamentos hormonais a menores numa situação de escassez de dados clínico de farmacovigilância e de avaliação clínica sistemática, num contexto onde a própria evidência científica internacional e nacional é reconhecida como sendo de baixa certeza. Francisca Silva Zacarias (Diretora da Genspect Portugal) defende que a questão não deve ser tratada como um debate ideológico, mas sim como um problema fundamental de medicina baseada na evidência, segurança do doente e saúde pública.
Segundo o Infarmed, em resposta a Francisca Silva Zacarias, não foram concedidas autorizações de utilização especial para doentes específicos para esta finalidade.
O Infarmed declarou ainda que não elaborou relatórios de farmacovigilância, relatórios ou notas de segurança, nem outros documentos administrativos específicos sobre a utilização destes medicamentos em menores neste contexto.
Apesar de a Ordem dos Médicos reportar a existência de 120 adolescentes sob tratamento farmacológico em três unidades públicas (em 2025), faltam dados essenciais sobre:
- Idade de início, sexo e estádio pubertário
- Comorbilidades e tempo de avaliação prévia
- Efeitos adversos, taxas de descontinuação, arrependimento e impacto na saúde mental, óssea e reprodutiva.
Posto isto, surge a pergunta: quando medicamentos são utilizados em menores para uma indicação não autorizada, numa área clínica onde a própria Ordem dos Médicos reconhece limitações importantes na evidência disponível, onde está a avaliação sistemática portuguesa dessa utilização?
Leia o artigo completo de Francisca Silva Zacarias em https://observador.pt/opiniao/bloqueadores-e-hormonas-em-menores-o-que-diz-o-infarmed/






